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Dr. Jânio Serafim, ginecologista da Clínica Pelvi, comenta sobre a vida sexual na terceira idade.

Ainda encarado como tabu, o sexo na terceira idade traz benefícios físicos e psicológicos. Hábitos saudáveis, como a boa alimentação e exercícios físicos, assim como busca por tratamentos, quando necessários, ajudam a manter a vida sexual por mais tempo

Soloni Rampin – Jornal da Comunidade

Muitas pessoas que assistiram ao filme “Uma divã para os dois” se identificaram com a busca do casal vivido por Meryl Streep e Tommy Lee Jones, ambos na terceira idade, pela retomada não apenas do amor, mas também do prazer de estarem juntos e do desejo sexual de um pelo outro. As situações mostradas na película não são apenas ficção, mas um tabu ainda vigente de que quem passou dos 60 ou chegou à menopausa não pode mais ter uma vida sexual ativa, feliz e saudável. O corpo, tanto do homem quanto da mulher, passa sim por mudanças, mas isso não os impede de manter uma vida com qualidade, inclusive no que tange à sexualidade.

De acordo com a sexóloga Jerusa Figueiredo, a velhice é um tabu por si só. “As pessoas acham que não existe vida após a aposentadoria e que o que lhes resta é esperar a morte chegar. Os filhos pensam que os idosos estão disponíveis para resolver pequenos problemas do cotidiano e tomar conta dos netos. A convivência diária do casal, que por toda a vida foi permeada pela rotina do trabalho, pode desgastar-se com o parceiro dentro de casa. Mas isso não está certo, não há prazer em viver dessa forma”, analisa. “Com tudo isso, a frequência sexual deixa de existir, porque as pessoas se tornam deserotizadas pelos parceiros por conta da rotina. A terceira idade não é boa nem ruim, depende de quem a vive”, acrescenta.

Novo Paradigma


Porém, essa mitificação de que manter uma vida sexual ativa na terceira idade é errado ou vergonhoso está, lentamente, mudando. O primeiro passo é vencer os impedimentos psicológicos. “As questões físicas estão sendo superadas pela medicina, mas, a partir daí, surgem as barreiras psicológicas, que vêm mudando ao longo dos anos. A mulher está lidando melhor com isso, pois, hoje, ela ocupa cargos maiores na escala social e também buscar quebrar esse tabu psicológico. Não existem impedimentos para ter relação na terceira idade; qualquer mulher, independentemente da faixa etária, pode”, garante o ginecologista Janio Serafim de Sousa, da Clínica Pelvi.

Mudanças corporais

Com o passar dos anos, a produção de hormônios sexuais diminui. O estrogênio, a progesterona e a testosterona ajudam, desde que o indivíduo nasce, no desenvolvimento das características masculinas e femininas, além de serem responsáveis pela ovulação, produção de espermatozoides e, também, da libido. Com a menopausa, a produção desses três hormônios nas mulheres cai irreversivelmente e ela deixa de ovular, causando, assim, a falsa ideia de que a vida sexual também acabou. “Após a menopausa, com a diminuição hormonal, ocorre a atrofia dos órgãos genitais, ressecamento da mucosa vaginal e redução da lubrificação e da libido. Isso pode ocasionar dor e incômodo durante o ato sexual. Esses hormônios são produzidos de forma endógena e por atividade física. Por isso, senhoras de 60 anos ou mais que têm vida dinâmica e praticam esportes, também têm vida sexual mais longa”, esclarece Janio Serafim. “O comportamento da sociedade tem mudado e a medicina proporciona a essas mulheres uma vida sexual saudável, por meio da reposição hormonal sistêmica, individualizada e de forma local”, completa.

As mudanças das práticas médicas não dizem respeito apenas aos hormônios, mas também à estética que, muitas vezes, influencia na sexualidade. “Antes, a paciente idosa pensava que não precisava mais de sexo; hoje, ela quer ficar bonita em todos os aspectos, inclusive com cirurgias para a correção da vagina flácida ou da bexiga baixa. Não há mais limite de idade para a mulher ter relação sexual e a medicina vem colaborando com isso, tanto com terapias cirúrgicas modernas, quanto por meio de reposições hormonais seguras e individualizadas”, conclui o ginecologista.

Assinatura: Soloni Rampin – Jornal da Comunidade

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